Miomas uterinos: diagnóstico e tratamento

O que você precisa saber para conversar com seu médico.

Dra Aline Evangelista Santiago

5/30/20263 min read

No link https://consultoriodela.com/miomas-uterinos explico o que são os miomas e o que podem causar. Aqui explico como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa no consultório, com a conversa e o exame ginecológico. O médico pode sentir o útero aumentado ao tocar a barriga ou durante o exame vaginal.

Os exames de imagem mais usados são:

  • Ultrassom transvaginal ou abdominal: é o principal exame. Mostra o tamanho, a quantidade e a localização dos miomas.

  • Ressonância magnética: é mais detalhada. Geralmente é pedida quando há muitos miomas, eles são muito grandes, quando há dúvidas no ultrassom ou quando o médico planeja uma cirurgia para preservar o útero.

  • Histeroscopia: é um exame que introduz uma câmera fina dentro do útero. É ótimo para ver miomas que crescem para dentro da cavidade uterina (submucosos). No link https://consultoriodela.com/histeroscopia explico mais sobre este exame.

Importante: miomas são benignos. O câncer de útero é raro e tem características diferentes. O médico saberá diferenciar.

Quando tratar?

Nem todo mioma precisa de tratamento. Se você não tem sintomas ou eles são leves, o mais comum é apenas acompanhar com exames de tempos em tempos.

O tratamento é indicado quando há:

  • Sangramento intenso (que causa anemia ou prejudica a sua vida)

  • Dor ou pressão incômoda na barriga

  • Crescimento rápido do útero

  • Dificuldade para engravidar (quando o mioma atrapalha a gestação)

Opções de tratamento medicamentoso

Os remédios não fazem o mioma desaparecer, mas ajudam a controlar os sintomas, principalmente o sangramento.

  • Anti-inflamatórios e ácido tranexâmico: reduzem o fluxo menstrual.

  • Anticoncepcionais (pílula, anel vaginal, DIU com hormônio): ajudam a controlar o sangramento. O DIU de levonorgestrel é muito bom nesse aspecto.

  • Remédios que bloqueiam os hormônios (análogos do GnRH): usados por pouco tempo (2 a 3 meses), principalmente antes de cirurgias, para reduzir o tamanho dos miomas e o sangramento na operação. Têm efeitos colaterais de menopausa temporária.

Opções de tratamento cirúrgico

A cirurgia é a forma mais definitiva de tratar miomas que causam muitos sintomas.

1. Miomectomia (cirurgia conservadora)

  • O que é: retira apenas os miomas, preservando o útero.

  • Para quem: mulheres que querem engravidar ou manter o útero.

  • Vias de acesso:

  • Histeroscópica: pela vagina, sem corte. Ideal para miomas que crescem para dentro do útero. No link explico detalhadamente como é feito este exame.

  • Laparoscópica (ou robótica): pequenos cortes na barriga. Em geral para miomas na parede do útero ou na parte externa.

  • Laparotomia (corte aberto): corte maior na barriga, em geral também para miomas na parede do útero ou na parte externa.

2. Histerectomia (cirurgia definitiva)

  • O que é: retira todo o útero.

  • Para quem: mulheres que não desejam mais engravidar e têm sintomas intensos, se falha do tratamento clínico.

  • Vias: vaginal, laparoscópica ou abdominal. As trompas devem ser retiradas para reduzir risco de câncer de ovário.

Outros tratamentos (menos invasivos, com indicações específicas)

  • Embolização das artérias uterinas: obstrui os vasos que alimentam os miomas, fazendo eles diminuírem de tamanho. Não é a primeira escolha para quem quer engravidar, pois pode afetar a fertilidade.

  • Ablação por radiofrequência: uma agulha "queima" o mioma por dentro. Pode ser opção para alguns casos, mas ainda se estudam os efeitos na gravidez.

  • HIFU (ultrassom focalizado): usa ondas de ultrassom para aquecer e destruir o mioma. Ainda é pouco usado e não é primeira escolha para quem deseja engravidar.

Conclusão: a notícia boa é que a maioria dos miomas não exige cirurgia!!!

Lembre-se: cada caso é único. Converse abertamente com seu ginecologista sobre seus sintomas, seus planos de ter filhos e suas dúvidas. Pergunte quais são as opções para o seu caso. Cada mulher é única, e o tratamento ideal para sua amiga pode não ser o melhor para você.

Mioma é comum, é tratável e, na grande maioria das vezes, não impede você de viver com saúde, prazer e qualidade de vida.

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Referência:

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2025.

Huertas Fernández MA, Rojo Riol JM, editores. Manual de histeroscopia: diagnóstica y quirúrgica. Barcelona: Editorial Glosa; 2008.

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